Sino dos ventos

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Do sonho ao pesadelo - parte IV

Leia o post anterior, "Do sonho ao pesadelo - parte III", para compreender melhor este aqui.


Setembro de 2009 - ao contratar o engenheiro, Flávia recebeu um minucioso cronograma e, para sua surpresa, vinte dias após constatou que tudo estava correndo de acordo com o planejado. As últimas portas e janelas foram instaladas. Os pisos e revestimentos começaram a ser assentados, porém a quantidade foi insuficiente: faltaram 5m² de piso e 3m² de revestimentos. Flávia implorou para que o mestre de obras usasse os pedaços em algum canto, sem prejudicar a aparência final, mas que desse um jeito. Ele explicou que a quantidade necessária era muito grande e pedacinhos não resolveriam. Apreensiva Flávia ligou para o varejista em São Paulo e ficou aliviada ao saber que ainda haviam os mesmos pisos e revestimentos à venda, porém de lotes diferentes. Comprou a quantidade que faltava, acrescida de 2m² a mais de cada um - não iria correr novo risco. O material foi entregue em uma semana e o mestre de obras tomou o cuidado de assentar o material de forma que a diferença ficasse quase que imperceptível, pois não eram do mesmo lote. Flávia percebeu mas não fez qualquer comentário. Ela havia aprendido a digerir decepções e estava cansada demais para se importar com uma pequena diferença na tonalidade dos pisos e revestimentos. O piso de madeira dos quartos também não havia ficado como ela havia admirado nas revistas e nos fornecedores, mas ela tinha um piso de madeira e isto bastava.

Novembro de 2009 - o engenheiro entregou a obra de acordo com o cronograma. Finalmente a casa estava pronta, mas nem isso deixou Flávia mais feliz. Ela só conseguia pensar no porque de não haver encontrado este engenheiro desde o início e lamentava que ele tivesse trabalhado tão pouco tempo na obra dela. Tudo que foi entregue a partir de então, foi aceito por Flávia sem quaisquer questionamentos. Ela escolheu, comprou e recebeu os móveis, cortinas, tapetes e objetos de decoração. Foram duas semanas arrumando a casa para a tão aguardada mudança, que aconteceu num dia ensolarado. Os móveis, cortinas e demais objetos do apartamento que não foram para a casa nova, Flávia doou para uma instituição de caridade.

Dezembro de 2009 - Inicialmente Flávia e Alcides haviam pensado em reformar o apartamento, e assim conseguiriam um valor de venda superior, mas como Flávia havia se tornado alérgica a qualquer coisa que se referisse a obras, optaram por apenas pintar as paredes. O apartamento foi vendido em quarenta dias e o dinheiro usado para quitar o empréstimo feito junto ao banco. Um ano e meio havia se passado, mas Flávia sentia ter envelhecido cinco vezes mais, em virtude das noites mal dormidas, do choro e desespero constantes, etc. Apesar dos percalços, ela estava feliz pois sua família também estava feliz: Alcides não se cansava de admirar a porta principal e fazia questão de preparar churrasco quase todos os domingos, os filhos curtindo cada qual o seu espaço e ela, cada cantinho de sua nova casa. Faltava uma semana para o Natal quando Flávia se lembrou da previsão que o primeiro engenheiro havia feito em julho de 2008, de que a obra seria entregue no início de dezembro. Ele errou o mês, mas esqueceu de prever o ano. Flávia agradeceu a Deus, afinal de contas havia sobrevivido a todo este calvário e agora a vida voltava aos poucos a sua normalidade. E em janeiro toda a família iria passar alguns dias no litoral.


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2 comentários:

  1. Conheço bem essa sensação de ter envelhecido anos em alguns meses de obra!... :/

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    1. Ainda que eu não tenha terminado de construir minha casa, também sei bem como é isso.
      O pior é saber que continuam existindo esse "profissionais" de má fé no mercado.
      Bjs!!

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